Tapurah: Procura por vacina infantil é baixa no Nortão, onde bolsonarismo domina

Municípios da região do Teles Pires, no Norte de Mato Grosso, estão com baixa procura para vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19. A situação pode indicar os efeitos do discurso negacionista contra o imunizante sobre essa parte do Estado, que votou expressivamente no presidente da República Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2018.



Em Sinop, o município da região com maior quantidade estimada de crianças da região, somente 1.053 crianças de 5 a 11 anos foram vacinadas. A informação consta no vacinômetro do site da prefeitura. São 15.643 crianças nessa faixa etária no município, de acordo com estimativas da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), ligada à Secretaria de Estado de Saúde (SES).


Em Lucas do Rio Verde, sob a categoria infantil, apenas 42 crianças tomaram a vacina quando o município tem mais de 7.638 pessoas nessa faixa etária, segundo CIB e vacinômetro da prefeitura.


A única exceção de que o discurso negacionista não tem impactado a vacinação parece ser Sorriso, que já chegou a vacinar mais de 500 crianças até o último sábado (28), de acordo com informações repassadas pela assessoria de imprensa.


O CIB aponta que Sorriso tem 10.299 pessoas na faixa etária de 5 a 11 anos, sendo a segundo maior cidade com crianças nessa faixa etária.


Fazem parte da região do Teles Pires os municípios de Cláudia, Feliz Natal, Ipiranga do Norte, Itanhangá, Itaúba, Marcelândia, Nova Mutum, Nova Santa Helena, Nova Ubiratã, Santa Carmem, Santa Rita do Trivelato, Tapurah, União do Sul e Vera.


Esses municípios não divulgaram dados da vacinação por faixa etária ou ainda não atualizaram o vacinômetro com a categoria para crianças em seus portais de transparência da covid-19.


De acordo com estimativas do CIB, são mais de 50,6 mil crianças nesses municípios, incluindo Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde.


O que todos esses municípios têm em comum é terem votado, em sua grande maioria, em Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições gerais.


O presidente, ligado à sua base política no Congresso e grupos negacionistas, têm desqualificado a segurança da vacina contra covid-19.


Inclusive, no início do mês, Bolsonaro havia dito que a vacina poderia causar reações adversas em crianças, quando especialistas médicos atestam a segurança do imunizante.


Segundo levantamento do portal Lupa, foram ao menos 45 discursos no plenário da Câmara dos Deputados, entre os autores está o filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e seus colegas parlamentares Carlos Jordy (PSL-RJ) e Soraya Manato (PSL-ES). Parlamentares bolsonaristas de Mato Grosso, como o deputado federal Nelson Barbudo e o deputado estadual Gilberto Cattani, ambos do PSL, também já usaram as redes sociais para desencorajar a vacinação infantil.