Por que especialistas preveem benefício limitado a Bolsonaro com PEC que turbina gastos sociais

A ampliação e a criação de benefícios sociais incluídos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apelidada de "PEC das Bondades" ou "PEC Kamikaze", aprovada pelo Congresso a menos de três meses da eleição, vão chegar a uma fatia do eleitorado em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atualmente sustenta uma significativa vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o Datafolha, o petista tem 56% das intenções de voto entre pessoas com renda até dois salários mínimos enquanto Bolsonaro fica com 20% dessa faixa. A situação se inverte quando se observam os índices dos eleitores mais ricos.



Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o reajuste para R$ 600 no valor do Auxílio Brasil e os reforços nos valores do auxílio-gás, do Alimenta-Brasil e a gratuidade para idosos no transporte coletivo, entre outros benefícios que criam um gasto de R$ 41,2 bilhões não previstos no Orçamento federal, terá, no entanto, efeito eleitoral limitado para o atual presidente.


Até o momento, o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) não tem levado a bons resultados para Bolsonaro nas sondagens. O Datafolha aponta que 59% dos entrevistados que disseram ser atendidos pelo programa nunca votariam nele.


Para Esther Solano, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pesquisadora do conservadorismo brasileiro, é esperada a subida dos índices do atual presidente quando os benefícios previstos na PEC começarem a ser distribuídos.


"Se antes Bolsonaro só tinha questões morais/ideológicas para apresentar ao grande público, agora vai ter também um 'sucesso econômico' para apresentar. Não imagino um impacto muito grande porque a inflação ainda é brutal, mas será suficiente para afastar cada vez mais uma vitória de Lula em um primeiro turno", diz Solano.


O cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Marco Antonio Teixeira considera a PEC Kamikaze como uma última cartada para alavancar o desempenho de Bolsonaro nas pesquisas.


"Se o auxílio não surtir efeito nas pesquisas, sobrará pouca margem para o governo estabelecer uma nova estratégia para conquistar votos", diz.


Teixeira afirma, no entanto, que ainda é cedo para ter uma ideia dos efeitos da PEC das Eleições, mas com o pagamento do novo valor do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) em agosto será possível mensurar o impacto do pacote de ajudas.