Nova carteira de identidade permite indicar se a pessoa é doadora de órgãos; modelo entrou em vigor

A nova carteira de identidade nacional, o "RG único", terá a possibilidade de identificar se a pessoa deseja doar os órgãos após a morte. Mesmo que a informação esteja presente no verso do documento, continua nas mãos da família a tarefa de autorizar ou não a retirada, conforme a legislação brasileira. "Se a família autorizar, aí, sim, é feita a doação. É fundamental as pessoas conversarem na família o desejo delas de serem doadores", explica o médico nefrologista Gustavo Fernandes Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).



De acordo com a ABTO, a doação acontece apenas quando a pessoa teve morte encefálica. Nessa condição, é possível aproveitar pulmões, coração, fígado, pâncreas, intestino, rins, pele, veias, válvulas cardíacas, ossos e tendões. A exceção à regra é a córnea, que não possui essa exigência. Existem, ainda, casos em que a pessoa doa órgãos ainda viva: tecidos, medula óssea, um dos órgãos duplos (como o rim), parte do fígado ou do pulmão.


No decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, no mês passado, ressalta ainda que o cidadão pode solicitar também a inclusão do tipo sanguíneo (A, B ou O) e fator RH (positivo ou negativo), além de outros problemas de saúde "cuja divulgação possa contribuir para preservar a sua saúde ou salvar a sua vida". Para isso, a pessoa precisa informar, na hora de fazer o novo documento, que quer a inclusão de todos esses dados.


O novo documento será unificado por meio do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e entrou em vigor no dia 1º de março. A emissão é gratuita, basta o cidadão procurar a secretaria de Segurança Pública do estado em que reside. No momento em que receber o documento em mãos, é possível acessá-lo também pelo aplicativo do governo.