Não precisamos de carta para defender democracia, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta 4ª feira (27.jul.2022) que não precisa de “cartinha” para demonstrar sua defesa à democracia e seu cumprimento às regras constitucionais, durante a convenção do PP (Partido Progressista) em que a sigla oficializou coligação ao partido do atual chefe do Executivo. “Não precisamos de nenhuma cartinha para falar que defendemos nossa democracia, para falar que cumprimos a Constituição, não precisamos de apoio ou sinalização de quem quer que seja para mostrar que nosso caminho é a democracia, a liberdade, o respeito à Constituição”, disse Bolsonaro.



Banqueiros e empresários assinaram um manifesto em defesa da democracia organizado pela Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) e com o apoio de entidades da sociedade civil, que foi publicado na 3ª feira (26.jul). Já são 100 mil signatários. A carta em defesa da democracia não menciona Bolsonaro, mas é um dos documentos mais fortes contra o atual presidente já preparado e endossado pelo establishment brasileiro. Em sua fala, Bolsonaro voltou a elogiar o Pix e citou que o recurso teve alta adesão no país. “Quase 40 milhões [de pessoas] nunca tiveram conta em banco, passaram a ser microempresárias”, disse o presidente.


Bolsonaro já associou, em 10 de junho, a desaprovação do governo por banqueiros ao Pix, argumentando que a transação não tem taxas como outras movimentações bancárias. Em seguida, o posicionamento foi reforçado pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. “Os banqueiros podem até assinar manifestos contra o presidente pois sabem que não serão perseguidos. Eles podem assinar manifestos contra porque estão livres da perseguição, sim, mas o Banco Central independente coloca em prática o PIX, que por ano transferiu mais de 30, 40 bilhões de que por ano transferiu mais de 30, 40 bilhões de reais de tarifas que os bancos ganhavam a cada transferência bancária e hoje é de graça”, disse Ciro no Twitter.


Durante o discurso, Bolsonaro reiterou posicionamentos conservadores em temas como ideologia de gênero, legalização das drogas e aborto, pautas abordadas em sua pré-campanha à disputa pela reeleição. Ele voltou a dizer, ainda, que a política externa do Brasil é “excepcional“. Sobre as relações exteriores envolvendo a Amazônia, disse que a região “não é para ser dividida para o mundo, é nossa“. A fala tem ligação com o discurso de Bolsonaro no evento de lançamento da sua candidatura, no domingo (24.jul.), em que defendeu que “a Amazônia é do Brasil e não tem mais conversa“