Lula defende criação de novo Bolsa Família com valor de R$ 600: 'Povo merece'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (20) que o Auxílio Brasil, programa que vai substituir o Bolsa Família, seja de R$ 600. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) propõe que o valor do benefício seja de R$ 400.

Em entrevista à rádio A Tarde, de Salvador, Lula se referiu ao novo programa como "auxílio emergencial", mas o que está sendo tratado neste momento pelo governo é o valor do Auxílio Brasil.



"Tô vendo agora o Bolsonaro dizendo que vai dar auxílio emergencial de R$ 400 que vai durar até o final do ano que vem. Tem muita gente dizendo que não podemos aceitar, é auxílio emergencial eleitoral. Não, eu não penso assim. Penso que faz mais de cinco meses que o PT pediu um auxílio de R$ 600. Aliás, o PT pediu e mandou uma proposta para a Câmara dos Deputados de um novo Bolsa Família de R$ 600. O que queremos é que o Bolsonaro dê um auxílio emergencial de R$ 600. 'Ah, ele vai tirar proveito disso', é problema dele", declarou.


"Se alguém acha que vai ganhar o povo porque vai dar salário emergencial de R$ 600, paciência. Eu acho que o povo merece os R$ 600 e ele tem que dar, não tem que ficar inventando, e nós reivindicamos isso. Não podemos querer que o povo continue na miséria por causa das eleições de 2022", acrescentou o petista, provável adversário de Bolsonaro no pleito do ano que vem. Mais tarde, Lula compartilhou a mesma declaração em suas redes sociais.

A cerimônia de lançamento do Auxílio Brasil, marcada para esta quarta-feira (20), foi adiada, devido à falta de consenso da equipe econômica. Até dias atrás, o Ministério da Economia trabalhava com um valor na faixa dos R$ 300 e elevar o benefício para R$ 400 até dezembro de 2022 custaria cerca de R$ 30 bilhões à União fora do teto de gastos, segundo o governo.


Por outro lado, o valor de R$ 600 para o programa de transferência de renda é defendido pelo PT desde julho do ano passado, quando o partido lançou a proposta do Mais Bolsa Família. O partido calcula que a versão ampliada do programa atenderia a 30 milhões de famílias, ao custo mensal de R$ 19 bilhões.