Embargo sobre o petróleo russo: Venezuela pode ser alternativa para EUA

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (8) um embargo ao petróleo e gás russos, depois de acordo bipartidário ter sido alcançado no Congresso, na segunda-feira (7). A decisão faz parte dos esforços ocidentais para aumentar a pressão internacional contra o presidente russo, Vladimir Putin, por causa da invasão à Ucrânia. Resta agora definir outras fontes de abastecimento de petróleo para os EUA mitigarem o aumento dos preços da energia.



"A Rússia poderia continuar a intensificar seu progresso com custo terrível, mas uma coisa já está clara: a Ucrânia não será nunca uma vitória para Putin”, disse o presidente americano. “Putin pode ser capaz de tomar uma cidade, mas nunca poderá controlar o país", acrescentou Joe Biden, da Casa Branca.


A ordem de embargo às importações americanas de petróleo e gás russos foi tomada "em estreita coordenação" com os aliados dos Estados Unidos, especificou ainda o presidente.


Decisão semelhante foi tomada pela Grã-Bretanha, que anunciou que deixaria de importar produtos petrolíferos russos até o final do ano. A gigante britânica Shell anunciou a suspensão gradual da compra de petróleo russo.


Os países da União Europeia também pretendem reduzir a compra de combustíveis da Rússia, ainda que 40% de suas importações de gás venham de lá. Um plano apresentado nesta terça-feira pela Comissão Europeia considera uma redução de dois terços das importações de gás russo, a partir deste ano, e seu fim "bem antes de 2030".


Em Moscou, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak ameaçou fechar a válvula do gasoduto Nord Stream 1 que abastece a Alemanha, prevendo que o preço do barril de petróleo chegaria a US$ 300 (contra US$ 125 na terça e menos de US$ 100 antes invasão da Ucrânia).


O ministro da Economia alemão, Robert Habeck, assegurou que Berlim estava pronta para enfrentar tal medida de retaliação, prometendo diversificar as fontes de energia da Alemanha "na velocidade de um Tesla", em alusão à construção, em dois anos, pela empresa americana de uma fábrica gigantesca de baterias perto de Berlim.


Opção venezuelana


No caso de Washington, uma das hipóteses é se voltar para a Venezuela, tradicional aliada da Rússia rica em petróleo e que atualmente está sob sanções, mais precisamente americanas. Entretanto, de acordo com informações do jornal New York Times, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, estaria disposto a aumentar a produção, no caso de um embargo americano ao petróleo russo. Em troca, os Estados Unidos poderiam suspender as sanções ao petróleo venezuelano, em vigor há dois anos.


Em 2019, os dois países romperam suas relações diplomáticas após a reeleição de Nicolás Maduro, durante uma votação em que a oposição não teve espaço. O governo dos Estados Unidos não reconheceu a vitória do presidente venezuelano. Entretanto, a crise com a Rússia por causa da invasão da Ucrânia obriga os EUA a se aproximarem do homem que, até então, era considerado por Washington como um pária.


Esta decisão, no entanto, é criticada por alguns deputados americanos, assim como pela oposição venezuelana. Porém, mesmo que os dois países conseguissem chegar a um acordo, aumentar a produção de petróleo venezuelano não seria tão simples.


Os campos de exploração petróleo na Venezuela estão em um estado deplorável. De acordo com especialistas ouvidos pela RFI, levaria muito tempo e dinheiro para reativar a extração e o processamento do petróleo.


(Com informações da RFI e da AFP)