Bolsonaro usa mensagem presidencial ao Congresso para atacar propostas de Lula

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a solenidade de entrega da mensagem presidencial ao Congresso Nacional nesta quarta-feira para atacar propostas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto em outubro, e aliados.


Bolsonaro disse que se sente parlamentar no Congresso e destacou que não se pode defender a regulação da mídia e uma revisão das alterações promovidas pela reforma trabalhista, em um indireta a Lula e de aliados do petista.



"E reafirmo meus senhores: me sinto hoje parlamentar aqui também. Não deixemos qualquer um de nós, quem quer que seja que esteja no Planalto, ouse regular a mídia. Não interessa por que, com qual intenção e objetivo. A nossa liberdade, a liberdade de imprensa, garantida em nossa Constituição, não pode ser violada ou arranhada por quem quer que seja nesse país", afirmou ele, sem citar o ex-presidente.


Ao mesmo tempo, Bolsonaro também mandou um recado à cúpula do Judiciário, especialmente em relação à regulação da internet.


"Eu espero que isso não seja regulamentado por qualquer outro Poder. Por nossa liberdade acima de tudo", afirmou.


Bolsonaro tem criticado ações adotadas pela cúpula do Judiciário para restringir o acesso e o uso de redes sociais, plataforma em que ele tem forte base de apoio.


Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral começou um movimento para tentar contar com o apoio do Telegram nas eleições de outubro para supervisionar a disseminação de informações falsas, ameaçando até bani-la durante o processo.


BALANÇO


No pronunciamento, Bolsonaro gastou a maior parte do tempo para fazer um balanço das iniciativas e ações do governo no ano passado.


Ainda assim, o presidente disse que diversos projetos legislativos merecem atenção e análise do Congresso em 2022, nominando o da portabilidade da conta de luz, o novo marco legal das garantias e a reforma tributária.


Bolsonaro afirmou ainda que o governo vai promover "um dos maiores leilões do setor aeroportuário, abrangendo 16 aeroportos, com destaque para os terminais de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro". Segundo ele, no setor portuário, haverá as primeiras desestatizações da história.


"Em 2022, continuaremos trabalhando para o desenvolvimento, o progresso e o bem-estar de nosso povo, sempre calcados em nossos princípios, nossos valores e em nossa democracia", disse.