Bolsonaro quer expor preocupação com mulheres em megaevento de lançamento da candidatura à reeleição

BRASÍLIA - A convenção do PL que oficializa neste domingo, 24, o presidente Jair Bolsonaro como candidato à reeleição vai evidenciar a preocupação da campanha com o eleitorado feminino. Um dos focos do megaevento, o maior entre os presidenciáveis de 2022, será debelar a resistência a Bolsonaro entre as mulheres, com destaque para a presença delas no palco. O presidente pretende expor essa preocupação e atenção com os mais pobres diante de 10 mil apoiadores no ginásio do Maracanãzinho, no Rio, berço político do bolsonarismo.


Se tudo sair como planejado, Bolsonaro subirá no palanque às 11h22 para discursar. A ideia da campanha é que ele siga um roteiro planejado e com viés social. Na prática, Bolsonaro será aclamado candidato do PL a presidente da República, tendo o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, como candidato a vice-presidente. Com dificuldades de engajar a primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha, o presidente pretende levá-la ao centro do palanque para uma inflexão histórica em seus discursos. Até agora, Michelle vinha se recusando a gravar participações em propagandas do PL. Apesar de apelos do marido e da cúpula da campanha, silenciou.




O script do comitê de campanha prevê que Michelle discurse na convenção, assim como fez de surpresa na posse de Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019. No entendimento dos marqueteiros, ela suaviza a imagem do presidente. As autoridades e principais candidatos aliados foram incentivados pela cúpula da campanha a levar suas respectivas companheiras ao palanque.Nem todos os candidatos do PL poderão subir ao palco, e parte do espaço foi reservado justamente para que os principais candidatos ligados ao Palácio do Planalto possam aparecer ao lado das esposas no centro da convenção nacional. O marketing da campanha aposta que essa ideia ajudará na captação de imagens para propagandas de Bolsonaro, como costuma ocorrer em convenções que se transformam em megaeventos.

O partido não revelou quanto investiu na convenção. No fim do ano passado, o ato de filiação de Bolsonaro ao PL, cerimônia de menor proporção, custou R$ 370 mil, pagos majoritariamente com recursos do Fundo Partidário.