Após pedir estudos para privatizar Petrobras, Bolsonaro diz agora querer construir refinarias

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 7, que pretende começar a construir refinarias para enfrentar o risco de abastecimento de óleo diesel no Brasil. "Neste momento, acredito que deveríamos colaborar para daqui a anos não termos crise como agora. Se lá fora não houver refino, vai faltar diesel no mundo todo", afirmou o presidente em entrevista ao SBT.



Na gestão petista, a Petrobras gastou bilhões de reais na construção de refinarias mas, diante de denúncias de corrupção e da inviabilidade dos negócios, acabou desistindo, deixando um rastro de prejuízos. Hoje a estatal busca vender parte de suas refinarias para grupos privados. Apesar dos problemas enfrentados, a equipe de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda defende a ideia de investir em refinarias como solução para a crise no preço dos combustíveis.


“Uma refinaria você em um ou dois anos, Vai quatro, cinco, seis anos. Pretendemos começar, já estamos estão bastante avançados os estudos nesse sentido para nós fazermos aqui”, declarou Bolsonaro, após criticar o governo Lula por não ter concluído refinarias.

Segundo ele, o Brasil poderia ser autossuficiente em em diesel e gasolina com as empresas de refino. “Não precisaríamos importar de ninguém e nem estaríamos preocupados se lá fora ia faltar ou não, porque nós temos petróleo aqui em abundância”, disse Bolsonaro.


“Por outro lado, alguns querem que cada vez mais nós não tenhamos estatais no Brasil. Em grande parte tem razão, mas neste momento acredito que nós deveríamos colaborar em fazer a refinaria do Brasil para que daqui a quatro, cinco, seis anos, nós não estejamos passando por uma crise como estamos passando agora”, acrescentou o presidente.


Na semana passada, o governo incluiu a Petrobras na carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), a primeira etapa necessária para privatizar estatal. O próprio Bolsonaro já estimou em quatro anos o tempo necessário para concluir a operação, caso vá adiante. Para isso, é preciso do aval do Congresso e também do Tribunal de Contas da União (TCU).


O projeto de venda da estatal ganhou força política no governo a partir dos sucessivos reajustes nos preços dos combustíveis, que desagradam ao presidente em razão de seu projeto de reeleição.


O secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Bruno Westin, afirmou que não há prazo definido para o envio da proposta legislativa que permitirá a privatização da Petrobras. O secretário disse ainda que "não há horizonte" estabelecido para o processo de desestatização ser efetivado, visto que o projeto de lei ainda será construído e precisará ser aprovado e debatido pelo Congresso Nacional.