Agro deve ter safras recordes em 2022 mas setor prevê alta de custo com fertilizantes e defensivos

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve crescer 9,37% este ano e até 5% em 2022, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A menor alta do setor próximo ano deve ser influenciada pela expectativa de um desempenho ainda fraco da economia em 2022.



O indicador da CNA, calculado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em economia Aplicada (Cepea), leva em conta tudo o que é movimentado dentro e fora da porteira: insumos, agroindústria e serviços, diferente do PIB do IBGE, que considera somente o que é produzido dentro das fazendas.


Por outro lado, a entidade espera uma safra de grãos recorde de grãos, em 289 milhões de toneladas, 14% a mais que a colheita deste ano. favorecida pelo clima.


Custos de produção

O principal gargalo, porém, é o custo de produção, que deve ser um dos mais altos em 2022 por causa do aumento do custo dos insumos, como fertilizantes e defensivos, que são, em sua maioria, importado.

"Neste ano de 2021, o produtor rural já conviveu com o aumento de mais de 100% nos custos com fertilizantes e defensivos para culturas como soja e milho e a tendência para o próximo ano é de que este quadro se mantenha", informou a CNA.


O preço do glifosato, por exemplo, que é o agrotóxico mais vendido no mundo, subiu 372% no acumulado em 12 meses até outubro deste ano. Já o valor da ureia avançou 147% no mesmo período, segundo dados da CNA.

A entidade também prevê que, mesmo com a elevação dos preços e o aumento de produção de algumas culturas, a alta dos custos de produção deve reduzir a margem de lucro do produtor rural de maneira geral.


Outros fatores que podem determinar o comportamento da safra 2021/2022 no Brasil e precisam ser acompanhados de perto no próximo ano, como a questão da logística, o abastecimento de insumos e o fenômeno climático La Niña.


Faturamento

Para o Valor Bruto da Produção (VBP, faturamento), que mede o faturamento da atividade “da porteira para dentro” na agricultura e na pecuária, a expectativa da CNA é que a elevação de receita ocorra em menor ritmo frente a anos anteriores.


O VBP deve ser de R$ 1,25 trilhão em 2022, crescimento de 4,2% em relação a 2021. Culturas como café, milho e trigo devem ter produções maiores e cana-de-açúcar, café e algodão deve ter elevação nos preços. Por outro lado, soja, carne bovina e arroz devem sofrer quedas no VBP no próximo ano.


Comércio exterior

Para 2022, alguns fatores podem influenciar a exportação do agro, como o comportamento da Covid-19, os gargalos do transporte marítimo, como de escassez de contêineres, a oferta global de insumos e a pauta ambiental.


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A entidade diz que espera uma retomada das exportações de carne bovina para a China e prevê que o país deve se manter como o principal parceiro comercial do Brasil para os produtos do agro.


De janeiro a novembro de 2021, as exportações do agronegócio bateram recorde, atingindo o valor de US$ 110,7 bilhões, superando o recorde anterior que era referente a todo o ano de 2018 (US$ 101,2 bilhões). Na comparação com o mesmo período de 2020, o crescimento foi de 18,4%.


Neste ano, os principais produtos do agronegócio brasileiro exportados foram soja em grãos, carne bovina in natura, açúcar de cana em bruto, farelo de soja e carne de frango in natura.


Os principais destinos foram China, União Europeia, Estados Unidos, Tailândia e Japão. Juntos, esses cinco mercados responderam por 62% dos consumidores que adquiriram os itens brasileiros.


O país onde foi registrada a maior expansão das vendas externas em 2021 foi o Irã (71,3%), com receita de US$ 734 milhões.


CNA